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Interação >
Meio-ambiente é tudo o que nos
cerca. A relação que se estabelece entre os seres vivos e tudo o mais que os
cerca gera equilíbrios e desequilíbrios. Um sofre a ação do outro. Interação, é
o termo que bem explica a vida no planeta.
Os choques da interação > Imagine-se um vidro submetido a muito
calor, ou muito frio: termina estilhaçando-se, partindo-se. O ferro, submetido
também a muito calor termina atingindo a forma líquida. A água sob intenso frio
vira gelo. Um ser vivo sob intensas mudanças ambientais sofre choques tão
grandes que poderão levá-lo à morte. De outro lado, choques menores mais
prolongados causam danos que até podem a tingir a estrutura genética dos seres
vivos levando-os a mutações, que são formas de sobrevivências. Daí a doutrina de
que os animais sofreram enormes mutações ao longo dos tempos mudando de uma
forma para outra. Mas aí estamos na fase de pura interação ser vivo e
meio-ambiente. Estamos nos tempos dos choques naturais. Imagine-se o dilúvio,
que deve ter coberto de águas parte da terra, dos tempos bíblicos. O vulcão que
soterrou cidades como Herculano e Pompéia. Ou o tremor de terra que poderá haver
feito submergir a Atlântida. O enorme meteoro que, caindo sobre a América, deu
origem ao Golfo do México.
A interação quando o
homem é agente transformador >
A partir de certo momento o
homem começa a mudar o curso dos acontecimentos. Ele doma os elementos da
natureza e os põe a seu serviço. Dá-lhes uma utilidade, digamos doméstica, no
início, direcionada para fins de prazer, comodidade. Saltando a etapa
anterior ele descobre que a natureza poderá ser explorada, também, para fins de
riqueza e poder. Então ele investe contra a ordem natural, mas também anárquica
das coisas. Trava-se, uma luta entre a natureza e o homem, que busca assumir a
condição de senhor das coisas do mundo. Os choques de interação homem e
meio-ambiente, agora, são de outras proporções, mais das vezes devastadoras.
Imaginem-se as guerras, que com seus cadáveres espalharam centenas de doenças
que viraram epidemias. A explosão demográfica correndo na frente da construção
de esgotos, da melhoria da qualidade da água, gerando detritos que, acumulados,
viraram fontes permanentes de doenças. Não faz muito tempo, 1945, século
passado, em Hiroshima e Nagasaki, Japão, tivemos o maior espetáculo de
destruição que a humanidade conheceu. O Senhor da Humanidade, o homem, o novo
deus, violando o equilíbrio natural das coisas, sem ainda poder avaliar todas as
suas conseqüências
A ideologia do progresso > Em 1824 Sadi Carnot, cientista
francês, publicou a obra O poder motor do fogo ( Le pouvoir motrice du feu), e o
homem, teorizando que as massas críticas geradoras de energias, que se
transformavam em calor, e calor que faziam as transformações que a
industrialização precisava. De certo modo nascia a ideologia do progresso, da
era industrial. Progresso por progresso não é novidade na história da
humanidade. Vem de longe, desde os tempos quase imemoriais, basta que se
consultem as várias idades da terra do ponto de vista de evolução. Mas com Sadi
Carnot esse fenômeno é ideologizado, criando um ideário para as classes
dominantes, um paradigma. Em 1854 Rudolph Clausius descobre a segunda lei da
termodinâmica: uma massa crítica que gera energia, energia que gera calor, calor
que realiza transformações, mas que sofre perdas por conta da irradiação, e que
ao final do processo acumula um déficit, e déficit incapaz de realizar nova
transformação. Imagine-se uma locomotiva alimentada por lenha que dá para certo
percurso. Ao final o que sobra são as cinzas. Mas a locomotiva permanece
aquecida, por algum tempo, entretanto incapaz de prosseguir em sua viagem. O
fenômeno recebeu o nome entropia. Ainda estamos no campo do fenômeno físico, e
da abundância de massa (matéria) crítica no planeta. Com algum cuidado isso
poderá ser transportado para a sociedade ideológica dos homens, sobretudo a
econômica.
O esgotamento da ideologia do progresso > Decorridos menos de
duzentos anos o planeta parece esgotado. Alguns ciclos encerrados, ou então
caríssimos para ainda serem explorados. Os grandes e preciosos elementos
energéticos do mundo estão condenados a um fim. O petróleo ainda resiste, mas
até quando. O carvão de pedra também está se esgotando. As montanhas que
escondem urânio estão sendo demolidas, afetando o equilíbrio ecológico. Os
vapores dos gazes industriais que impestam a atmosfera estão causando buracos
nas proteções contra os perigosos raios que afetam a vida no planeta. As calotas
polares estão ameaçadas de degelo. Os mares correndo o risco de virarem esgoto a
céu aberto. Os mangues pedindo socorro. Os desertos prosperando. As matas
destruídas. O ciclo das águas, perturbado.
O novo choque > O homem, ciente de que a ideologia do progresso
não é mais infinita, que terá um fim, violou o espaço e está em busca de algo
que poderá lhe socorrer. Mas o que seria isso, e como trazer para a terra? E por
enquanto está apenas acumulando lixo eletrônico no espaço sideral, que aos
poucos nos devolve, sobre nossas paisagens desoladas.
A morte do planeta>
A ideologia ilimitada do
progresso, a explosão demográfica, a ânsia de riqueza e poder, com certeza, são
os mais graves problemas para a humanidade. E um desafio que não dá sinais de
que esteja sendo tratado com seriedade. Que respondam a essa afirmação não os
homens, mas os caranquejos dos nossos mangues, as borboletas e as flores das
nossas últimas florestas. Dentro de alguns anos a questão, para a humanidade,
não será mais político-ideológica, socialismo ou capitalismo, mas de pura
sobrevivência. A ideologia do progresso ilimitado matará primeiramente a
ideologia e depois o homem, e com ele a humanidade.
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Artigo de
Luiz Nogueira <> Publicado no jornal Política e Negócios, de
Maceió, Alagoas, ano I-número 5 -Junho 2004 |
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